Famecos
N°33, agosto 2007
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Brasil
Apresentação
O pensamento é um caminho que se faz aos saltos para frente e
para trás. Tudo se interliga. Tudo se procura. Cada ponto reflete um
outro. Cada passo abre veredas. O complexo é tecido coletivo feito de
muitos laços e de infinitas conexões. O pensador é aquele que liga o fim
e o começo. Como disse T.S. Eliot num dos seus mais belos poemas:
"Em meu princípio está meu fim/Uma após as outras/As casas se levantam e
tombam, desmoronam/São ampliadas, / Removidas, destruídas, restauradas,
ou em seu lugar/Irrompe um campo aberto, uma usina ou um atalho/Velhas
pedras para novas construções, velhos lenhos para novas chamas,/Velhas
chamas em cinzas convertidas, e cinzas sobre a terra/semeadas./Terra
agora feita carne, pele e fezes,/ Osso de homens e bestas, trigais e
folha".
Um passeio pelas 33 edições da Revista Famecos revela sem dificuldades
os vaivéns da trajetória percorrida. Há autores que vão e voltam sem que
se perca o fim da meada. Quando se vão, deixam marcas. Quando voltam,
abrem novas trilhas. Há temas que entram e saem deixando rastros,
pegadas, pistas de reflexão e de pesquisa. Fiel ao seu subtítulo, a
Revista Famecos tem vasculhado a cultura, a mídia e a tecnologia em
busca da melhor compreensão do mundo contemporâneo, este universo, ao
mesmo tempo, imaginário, concreto, presente, ausente e não decifrado.
Nesta edição, temos o retorno de Pierre Lévy. O grande analista francês
da cibercultura, radicado no Canadá, dará no Programa de Pós-graduação
em Comunicação da PUCRS, neste segundo semestre de 2007, um seminário
sobre o estado da arte da revolução tecnológica ainda em curso. No
artigo em questão nesta edição da RF, com sua já conhecida capacidade
argumentativa, Lévy aborda os limites e possibilidades da inteligência
no século XXL Bem entendido, essa inteligência aparece associada ao
desenvolvimento tecnológico sem precedentes na comunicação.
Em paralelo, pesquisadores brasileiros como Adriana Amaral (Tuiuti -
PR), Alessandra Aldé, Juliana Escobar e Viktor Chagas (UERJ) investigam
práticas da cibercultura, entre as quais o fenômeno "eletro-goth" na
internet e os blogs. Mas nem só de tecnologia vive a comunicação. Há
também lugar para pensar, como faz Nízia Villaça (UFRJ), o Brasil como
identidade ou marca, o jornalismo, como faz Sérgio Gadini (UEPG/PR) a
partir de uma teoria construcionista ou, como faz Edílson Cazeloto "a
multidão contra o social". Tudo é bom para pensar. Principalmente o
cinema. Um dos pontos fortes deste número é a entrevista com Michel
Marie através do qual se descortina o imaginário do imaginário, o
subtexto, o intertexto, o pano de fundo, o fundo sem cobertura, a arte
como indústria e fantasia.