Em Questão
Revista da Faculdade de Biblioteconomia e Comunicação
da UFRGS Volume 12 N° 1
(Porto Alegre, Brasil - Janeiro a Junho 2006 )
Apresentação
Ao perseguir a qualificação editorial e acadêmica deste periódico, a
comissão editorial da revista Em Questão organizou o volume 12 sob dois
grandes campos - Comunicação e Informação Científica - abrigando
reflexões ora em cruzamento, ora em paralelismo. A edição abre com um
percurso histórico pela Bibliometria e suas variações, oferecendo aos
leitores urna extensa revisão bibliográfica sobre as leis que regem a
matéria e as tendências da disciplina no Brasil. Segue-se urna discussão
sobre a ética em pesquisa e na publicação científica, tema sempre
pertinente para reflexão, sobretudo quando as novas tecnologias oferecem
múltiplas possibilidades de circulação da ciência, subvertendo, muitas
vezes, padrões tradicionais de temporalidade, autoria e divulgação.
Nesse contexto, encaixa-se o artigo posterior ao explorar o ciclo da
produção científica on-line por meio dos repositórios institucionais e
temáticos.}
Interpreta-se, em seguida, a produção da memória e de sentidos sobre o
feminino em um arquivo privado de fotografias. A partir da Análise do
Discurso, cruzam-se fotos familiares, sugerindo indícios da trajetória
feminina entre as décadas de 1940 a 1990 do século passado. Outra
perspectiva, desta vez da historia pública e editorial, é resgatada na
análise da publicidade de saúde na Revista, do Globo, importante
magazine que circulou no País entre 1929 e 1967. Ao privilegiar um
discurso informativo, essa publicidade ajudou a divulgar novos hábitos
de higiene, apresentou novos fármacos e colaborou nas campanhas estatais
de saúde pública.
Divulga-se, neste número, os resultados de urna pesquisa de etnografia
de audiência, realizada a partir de viés antropológico. Ao cruzar dados
empíricos e uma consistente base teórica, a investigação busca pensar o
complexo significado da televisão na sociedade contemporânea, esmiuçando
visões de poder e relações sociais subjacentes nas críticas negativas
dirigidas a este meio de comunicação. Um percurso pela construção do
personagem cientista em animações televisivas é outro dos temas
abordados. Apesar do surgimento de desenhos, com novos recursos técnicos
e linguagem mais coloquial, a figura do cientista continua vítima de
estereótipos. Por fim, discute-se urna pesquisa realizada a partir dos
Observatórios de Imprensa da América Latina, visualizando a função e o
perfil destas iniciativas. A edição encerra na multiplicidade de
questões abertas pelo ensaio sobre a Semiologia de Roland Barthes como
pista e itinerário para compreender os sentidos das práticas midiáticas.
Cida Golin
Coordenação Comissão Editorial